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| Hoje é sexta-feira, dia de alegria! |
Lendo Marx I
[Lendo A dialética do trabalho - Escritos de Marx e Engels; Organização de Ricardo Antunes; Editora Expressão Popular]
"(...) Sua 'estranhidade' (Fremdheit) evidencia-se aqui [de forma] tão pura que, tão logo inexista coerção física ou outra qualquer, foge-se do trabalho como de uma peste. O trabalho externo, o trabalho no qual o homem se exterioriza, é um trabalho de autossacrifício, de mortificação. Finalmente, a externalidade (Äusserlichkeit) do trabalho aparece para o trabalhador como [o trabalho] não sendo seu próprio, mas de um outro, que [o trabalho] não lhe pertence, que ele no trabalho não pertence a si mesmo, mas a um outro. - Trabalho Estranhado e Propriedade Privada (1844)"
Considerando que Marx é extremamente didático eu poderia dar por justificado o título da postagem e deixar que as atualizações de status e banners de quinta a noite no Facebook dessem conta de endossar a significação dessa postagem. Mas, vale fazer alguns pequenos acréscimos reflexivos que me ocorrem, de dentro da convivência e das eventuais conivência na prática da depreciação da vinculação com o trabalho.
Em geral, por mais prazeroso que seja o trabalho, toda sorte de brincadeiras, ditos e expressões convidam a sexta feira a findar o expediente, como se uma força opressiva segurasse a semana em meio às suas obrigações, tarefas e conveniências, que formam um protocolo de execução que nos engessa longe do usufruto dos prazeres. Na minha aula de Conhecimento Científico e Vida Social, ainda no primeiro semestre, eu teria arriscado dizer, pelo que aprendi, que nossos sentidos, a constituição de nossa intuição, captam o que de aparente expressa o estranhamento em relação ao trabalho.
Isto porque a concepção de trabalho está aprisionada em sua representação social de satisfação de necessidades básicas, de subsistência, de doutrinação do corpo e não de desenvolvimento e humanização na constituição do ser social. Nessa representação do trabalho como o mal necessário que media nossas conquistas e nossa própria sobrevivência não cabe o prazer, ou antes, suprime o prazer por força da mutilação do ócio, da fruição, do crescimento de um trabalho que projete o desenvolvimento das nossas habilidades e potenciais, da nossa própria emancipação enquanto gênero humano.
Achei em uma resenha que fiz no segundo semestre para a matéria Trabalho e Sociabilidade [O que é trabalho?, de Suzana Albornoz - Coleção Primeiros Passos] o seguinte trecho:
Isto porque a concepção de trabalho está aprisionada em sua representação social de satisfação de necessidades básicas, de subsistência, de doutrinação do corpo e não de desenvolvimento e humanização na constituição do ser social. Nessa representação do trabalho como o mal necessário que media nossas conquistas e nossa própria sobrevivência não cabe o prazer, ou antes, suprime o prazer por força da mutilação do ócio, da fruição, do crescimento de um trabalho que projete o desenvolvimento das nossas habilidades e potenciais, da nossa própria emancipação enquanto gênero humano.
Achei em uma resenha que fiz no segundo semestre para a matéria Trabalho e Sociabilidade [O que é trabalho?, de Suzana Albornoz - Coleção Primeiros Passos] o seguinte trecho:
"Uma das possíveis significações
atribuídas à palavra trabalho se reporta ao vocábulo em latim tripalium, ainda que haja hipóteses que
atribuam à origem do termo ao vocábulo trabaculum.
O tripalium era um instrumento
composto de três paus aguçados, que por vezes eram munidos de pontas de ferro e
era usado para esmagar milho e esfiapar o linho. Contudo, a maioria dos
dicionários o registram como um instrumento de tortura que não se sabe ao certo
ter sido este sua original função ou posteriormente atribuída. Deste vocábulo
deriva o verbo tripaliare que nomeia
a ação de torturar.
Ainda
que sua opinião tenha sido originalmente voltada à agricultura, o vocábulo tripalium e suas derivações carregaram e
carregam a conotação que lhe foi atrelada pela sua rotulação como instrumento
de tortura: a de um instrumento ou meio pelo qual se inflige sofrimento e
tortura, que provoca o padecer."
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Não suficiente que a sexta seja a redenção da semana, ou por este mesmo motivo, ela é simetricamente oposta à segunda-feira, que inicia o suplício, abre os trabalhos. Mas, é sexta, acabou o trabalho, certo? Não. Não desde que o próprio ócio sofre uma apropriação que pressupõe gerar lucro e reproduzir padrões culturais. Porque todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, mas não é qualquer coisa, nem pode estar abaixo do estrato social ao qual você conseguiu se alçar/onde consegue manter-se. E toda essa conjuntura pede acessórios diversos, desde os ideológicos até o batom ou sapato da última moda, que já não será suficientemente bom para todas a ocasiões em que o lindo da próxima temporada servirá - você pensara quando comprá-lo no futuro. Mas, de fato, você não o usará para que não apareça em muitas ocasiões diferentes no Facebook. E se isso acontece, pensarão que você não ganha ou não economiza, não acreditarão que o mundo foi eficiente em seu doutrinamento para o trabalho. Logo você, que atura tudo até sexta!

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