<Texto originalmente produzido para trabalho da disciplina de Sociologia, do segundo ano do ensino médio, 2007>
NA IDADE DE, TEORICAMENTE, SER PRESA.
A sociedade declara-se perplexa,
horrorizada, e em voz uníssona, clama por justiça. E a culpa, é óbvio e
evidente, é do sistema, que oprime e exclui. Livrando-se dos clichês e lugares
- comuns, resta apenas uma sociedade que mal sabe identificar seus alvos, e em
uma ensandecida caça às bruxas, sacia-se com o primeiro boneco de Judas que
lhes é apresentado. E sem refletir criticamente a veracidade da informação,
adota um novo clichê, dando popularidade a mais um “mantra da indignação”.
Em um país onde a indignação dos intervalos
dos telejornais, rapidamente dá lugar ao sentimentalismo novelístico ou a
euforia dos jogos de futebol, não é de surpreender a inércia diante do horror.
Tanto quanto não é de surpreender que se ponha toda a culpa no sistema e apenas
nele, quando o povo é a esmagadora maioria que o compõe, visto que sem povo não
há sistema.
Não que o povo não tenha culpa, ou que a
minoria no poder seja isenta da mesma. Mas pelo fato da tácita aceitação de
conclusões impostas como verdade absoluta e incontestável. Mesmo quando a
realidade de tão próxima da sociedade, ou do sistema se quisermos, grita-lhe no
pé do ouvido e cospe-lhe na cara, como um rebento malcriado que vem mostrar a
seus pais o fruto de sua educação. Nem assim, desperta-se no povo a consciência
da importância de politizar as questões que fazem parte de sua interação
social, considerando que a política é inerente à existência humana.
O boneco de Judas da vez é a idade penal
mínima. E para muitos, abaixá-la, é abranger de forma mais completa o mundo do
crime debaixo do martelo da justiça, provavelmente, baseando-se na lógica de
que quanto maior a população carcerária, menor o risco infligido pelo crime.
Consciência, ou falta da mesma, típica de uma sociedade que incapaz de propor e
executar com êxito, medidas sociais preventivas, que incluiriam o indivíduo
intelectual e culturalmente, sacia equivocadamente sua sede de justiça, criando
e potencializando as medidas punitivas.
Prevenir neste caso, é garantir os direitos
básicos de forma digna, e que tenha em vista a qualidade da proporção desses
direitos, pois desta maneira, gozando dos direitos básicos e principalmente da
educação, o indivíduo é capaz de cumprir de forma consciente seus deveres para
com a sociedade.
Um sistema não sana suas deficiências
lançando mão de paliativos, e sim combatendo os agentes causadores de seus
problemas de maneira incisiva e bem estruturada, sem omitir-se da culpa ou
eleger alvos a esmo, assinando seu atestado de incapacidade. E sobretudo um
sistema sana suas deficiências encarando-as sem subestimá-las.
A primeira iniciativa que cabe ao Estado a
caráter de curto e longo prazo, é o investimento na educação. Mas o
investimento de qualidade que não tenha por objetivo preencher as estatísticas,
e sim qualificar o indivíduo, combater a evasão escolar e os fatores que a
causam. E mais do que garantir a permanência da juventude nas escolas, investir
na qualificação do ambiente escolar que deve ser inclusivo e acolhedor.
O que se vê atualmente, é um sistema
educacional público que preza pela quantidade e exclui o indivíduo ao criar
mecanismos de facilitação da graduação, prejudicando sua capacidade de
competitividade a cargos capazes de propiciar maiores chances de ascensão
social em relação a outros indivíduos educados pelo sistema privado de
educação.
Outra medida que deve ser ponderada como
imprescindível, é o planejamento familiar. Não há como negar que as informações
atingem um número de pessoas muito maior do que atingiam há vinte anos atrás.
Ainda assim, o volume de informações é imenso, mas a sua assimilação não
corresponde proporcionalmente.
Tão necessária quanto as duas outras
iniciativas, é a conscientização do povo em relação à legislatura que o rege.
Um povo que não conhece seus direitos e deveres, não sabe como reivindicá-los
ou reconhecer suas próprias limitações na convivência social. A ignorância em
relação às leis fomenta também o descrédito nas instituições e a prática do
justiçamento com as próprias mãos, ou em palavras mais explícitas, o fomento à
violência como resolução das questões que se apresentam na interação social.
E sem dúvida investir na qualidade do ambiente
familiar. Uma atitude mais complexa, que só pode ser alcançada com o
aprimoramento dos outros fatores que em conseqüência diminuirão os riscos aos
quais o indivíduo está exposto.
Mas políticas governamentais não são feitas
apenas pelo governo como se fossem assuntos aleatórios ao interesse das massas,
em uma democracia, mas do que direito, é dever do povo fiscalizar os
governantes que elegeu. Esse é o grande erro do povo brasileiro, delegar
poderes sem exercer a devida fiscalização e depois reclamar do resultado. Realmente,
aí está a culpa do sistema.
Sem essas devidas medidas e outras políticas
sociais, em pouco tempo estaremos colocando crianças de 13 anos no banco dos
réus, punindo-os pela falta de responsabilidade do sistema que, vale lembrar
novamente, é também constituído pelo povo, punindo o rebento malcriado do
sistema por não ter sabido geri-lo com competência.
Bonecos de Judas que saciem a sede da
sociedade na represália que emprega ao crime são o que não faltam. Mais antiga
que a questão da redução da maioridade penal, é a discussão acerca da
implantação da pena de morte no Brasil. Esse sistema já vigora há quase sete
décadas nos EUA, e levou milhares de condenados ao corredor da morte. No
entanto, apesar da violência ser um mal comum a toda a sociedade, variando
apenas em intensidade, não se pode esperar que soluções que dão certo em um
lugar, alcancem o mesmo êxito em outro.
A justiça americana, dá maior autonomia a
seus estados para que eles confeccionem e administrem as leis do modo que
julgarem melhor. Por isso, nem todos os estados adotaram a pena capital, mas
entre os que adotaram, é válido lançar um olhar especial ao Estado do Texas. O
Texas possui um conglomerado de unidades carcerárias e uma unidade onde a
maioria dos prisioneiros condenados a morte nos EUA são executados, a unidade
de Huntsville. Mais parece um grande complexo carcerário que uma cidade
É duvidoso afirmar que esta medida obteria
bons resultados no Brasil. No próprio EUA, o fato da pena capital existir, não
parece inibir a ações criminosas, além do fato da pena capital ser de caráter
irreversível, depois de aplicada não há mais possibilidades de corrigir erros
do processo judicial. Em especial no Brasil, a pena de morte pode se tornar um
instrumento de punição perigoso, que provavelmente irá se voltar contra as
camadas mais humildes da sociedade brasileira.
E ainda que admitamos os riscos da
implantação da pena de morte no Brasil, ultilizar-se dos direitos humanos para
condenar a execução de criminosos que por vezes não o respeitaram, é no mínimo
uma sinistra contradição. Entretanto, não custa repetir incansavelmente que as
únicas soluções que alcançam real êxito, são as de caráter preventivo, como
melhoramento da qualidade do sistema educacional, proporção de um atendimento
de saúde mais amplo, só para citar as mais urgentes e gritantes. É melhor começarmos
a reavaliar que tipo de educação estamos dando ao nosso rebento para que ele se
porte de maneira tão agressiva, se há tanto tempo sentimos vontade de matá-lo,
é porque há algo de muito errado na
NOSSA conduta para com ele.
É disso que eu estou falando! Uma pessoa qUE começa a ler livros inteiros aos 4 anos não pode simplesmente não ser a mais brocante de todas. Você nem tinha escolha, ia ser maestrosa mesmo que não quisesse.
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