Ciência, Paixão e Militâncias - I
- (...) você está racializando o debate?
- Tô.
Foi o que pensei em dizer, mas respondi um conciliador e nefasto "não é bem assim" para minha resposta ser operacional no contexto.
A pergunta foi dirigida a mim depois que eu declarei que estudos e formulações sobre minha identidade de mulher negra estavam todos em suspensão, até que eu os pudesse avaliar pessoalmente ou confiasse em uma leitura/interpretação idônea de seu conteúdo. Isto porque, prossegui explicando, o conhecimento acadêmico costuma ser produzido pelo homem branco de classe média que, não necessariamente sabe transitar entre seu lugar no mundo e os de outrem (no caso, eu).
Pelo visto, pareceu um absurdo que no pacote dos autores em suspensão eu incluísse nomes como Florestan Fernandes e Sérgio Buarque de Hollanda, autores que, como você deve saber - se não sabia, sabe agora - estão, praticamente - acima do bem e do mal, por seus papéis de formadores da identidade, formulação e memória sociológica do Brasil. Parece que extrapolei ao dizer que, infelizmente, a despeito de seus méritos e contribuições, Florestan Fernandes derrapou em formulações racistas sobre a família negra, inclusive classificando-a de anômica. E, muito provavelmente, foi um atrevimento imperdoável que eu tirasse conclusões precipitadas, afirmando que eles não conseguiram sair de seus lugares e repertórios para falar se debruçar sobre minha história e que, por isso, deveriam ser lidos e relidos com atenção e ressalvas.
Ao que parece, ultrapassando esses limites eu demonstrei haver passionalizado e personalizado o debate, racializando-o e estabelecendo limites claros entre possibilidades e legitimidades de identidades para produção do conhecimento.
E quase tudo isso foi dito, mas também li nos olhares de reprovação e de estupefação com meus "ataques raivosos", que sugeriam que eu tinha me excedido por conta de uma hipertrofia perigosa do meu conceito de racismo.
Eu não estava racializando o debate.
Ou estava mesmo.
O que acontece é que racializar tem mais de um sentido admissível.
Pode ser que se esteja adotando o referencial ideário que dá lastro ao racismo - de que há raças e hierarquias de racionalidade e superioridade entre elas - e produzindo diferenciações e lugares sociais baseados nisso; Ou, que se trate de localizar lugares de enunciação e existência produzidos e mantidos dentro de uma conjuntura estruturada pelo referencial racista.
Então, admitindo o segundo sentido, eu estava racializando o debate. Porque me importa localizar de onde as pessoas estão falando e que assumam as implicações éticas e concretas de seus discursos.
Poderia dizer que, para mim, não há nada mais acadêmico do que as formas de localização e identificação de forma e conteúdo do discurso. Contudo, não me atrevo a tanto, tampouco será ponto pacífico em uma sala de graduação cheia.
O que, de fato, me incomoda é que a academia laureia aqueles que demarcam uma posição em sua área de estudo e constrói suas formulações a partir de uma posição que, quanto mais clara e coesa, melhor. A menos que a partir dela você desconstrua de alguma forma o rol das santidades. Aí, imputarão a você a passionalização de um debate de sacralidades.
Mas até aí, não há necessariamente nada tão diferente do que defender Claus Offe em uma sala de marxistas.
Creio que o que diferencia é a natureza dos argumentos de negação, de descrédito que se imputa ao outro. Pois, quando se trata de questões étnico-raciais, bem como quando se trata de gênero, esses argumentos se referem à construção identitária, de algo que não pode ser alheado para a externalidade indiferente, ou melhor, não deve, porque constitui o sujeito. Equivale a dirigir uma crítica direta à percepção da macronarrativa de sofrimento e alijamento social e os impactos desta no cotidiano, na experiência de existir em seus contextos. Mas não é uma crítica que busca erros de interpretação ou rigor, ou mesmo, antes que se chegue a isto, não costuma ser uma crítica idônea por princípio. É uma crítica de quem assegura seu lugar socialmente formatado a partir da pejorativização da análise da/do outra/o. Não é, portanto, uma conclusão de debate, mas um artifício de manutenção ideológica.
Faz parecer que, reunir e desenvolver o instrumental para ler essas violações sempre pende ao exagero, ao delírio persecutório e a autovitimização, jamais ao rigor analítico, acuidade de percepção, sofisticação da lente interpretativa, contributo à objetivação ética das relações. Simplesmente porque é algo que não interessa ou valoriza o sujeito que historicamente enuncia os debates acadêmicos. Mas nunca é tão simples, porque, de fato, estamos disputando validação dos argumentos em um contexto em que nem mesmo nós valemos.
Pelo visto, pareceu um absurdo que no pacote dos autores em suspensão eu incluísse nomes como Florestan Fernandes e Sérgio Buarque de Hollanda, autores que, como você deve saber - se não sabia, sabe agora - estão, praticamente - acima do bem e do mal, por seus papéis de formadores da identidade, formulação e memória sociológica do Brasil. Parece que extrapolei ao dizer que, infelizmente, a despeito de seus méritos e contribuições, Florestan Fernandes derrapou em formulações racistas sobre a família negra, inclusive classificando-a de anômica. E, muito provavelmente, foi um atrevimento imperdoável que eu tirasse conclusões precipitadas, afirmando que eles não conseguiram sair de seus lugares e repertórios para falar se debruçar sobre minha história e que, por isso, deveriam ser lidos e relidos com atenção e ressalvas.
Ao que parece, ultrapassando esses limites eu demonstrei haver passionalizado e personalizado o debate, racializando-o e estabelecendo limites claros entre possibilidades e legitimidades de identidades para produção do conhecimento.
E quase tudo isso foi dito, mas também li nos olhares de reprovação e de estupefação com meus "ataques raivosos", que sugeriam que eu tinha me excedido por conta de uma hipertrofia perigosa do meu conceito de racismo.
Eu não estava racializando o debate.
Ou estava mesmo.
O que acontece é que racializar tem mais de um sentido admissível.
Pode ser que se esteja adotando o referencial ideário que dá lastro ao racismo - de que há raças e hierarquias de racionalidade e superioridade entre elas - e produzindo diferenciações e lugares sociais baseados nisso; Ou, que se trate de localizar lugares de enunciação e existência produzidos e mantidos dentro de uma conjuntura estruturada pelo referencial racista.
Então, admitindo o segundo sentido, eu estava racializando o debate. Porque me importa localizar de onde as pessoas estão falando e que assumam as implicações éticas e concretas de seus discursos.
Poderia dizer que, para mim, não há nada mais acadêmico do que as formas de localização e identificação de forma e conteúdo do discurso. Contudo, não me atrevo a tanto, tampouco será ponto pacífico em uma sala de graduação cheia.
O que, de fato, me incomoda é que a academia laureia aqueles que demarcam uma posição em sua área de estudo e constrói suas formulações a partir de uma posição que, quanto mais clara e coesa, melhor. A menos que a partir dela você desconstrua de alguma forma o rol das santidades. Aí, imputarão a você a passionalização de um debate de sacralidades.
Mas até aí, não há necessariamente nada tão diferente do que defender Claus Offe em uma sala de marxistas.
Creio que o que diferencia é a natureza dos argumentos de negação, de descrédito que se imputa ao outro. Pois, quando se trata de questões étnico-raciais, bem como quando se trata de gênero, esses argumentos se referem à construção identitária, de algo que não pode ser alheado para a externalidade indiferente, ou melhor, não deve, porque constitui o sujeito. Equivale a dirigir uma crítica direta à percepção da macronarrativa de sofrimento e alijamento social e os impactos desta no cotidiano, na experiência de existir em seus contextos. Mas não é uma crítica que busca erros de interpretação ou rigor, ou mesmo, antes que se chegue a isto, não costuma ser uma crítica idônea por princípio. É uma crítica de quem assegura seu lugar socialmente formatado a partir da pejorativização da análise da/do outra/o. Não é, portanto, uma conclusão de debate, mas um artifício de manutenção ideológica.
Faz parecer que, reunir e desenvolver o instrumental para ler essas violações sempre pende ao exagero, ao delírio persecutório e a autovitimização, jamais ao rigor analítico, acuidade de percepção, sofisticação da lente interpretativa, contributo à objetivação ética das relações. Simplesmente porque é algo que não interessa ou valoriza o sujeito que historicamente enuncia os debates acadêmicos. Mas nunca é tão simples, porque, de fato, estamos disputando validação dos argumentos em um contexto em que nem mesmo nós valemos.
Vc é muito inteligente, e muito mais corajosa ainda! Pena que não conheceste o MNUCDR|Mov Nacional unificado contra a intolerância, na época da ditadura, anos 70-80 era discriminação religiosa e racial. A religiosa exacerba a racial. Sempre fomos críticos a estes(a) autores(a), talvez por isso somos excluídos(a) até pela nossa própria comunidade que ao invés de se, nos prestigiar, nos agridem e votam no des dem, seu maior e mais cruel inimigo! O pior é ver que outros municípios estão em piores situação do que o nosso des dem!,
ResponderExcluirSALMO=SL 119. 1- BEM AVENTURADOS os retos em seus caminhos, que andam na lei do SENHOR.
ResponderExcluirFIS IP vjd| Que tal unir o Fórum Social à CONAPIR? CONFERÊNCIA D' IGUALDADE SOCIAL? Uma proposta minha para despertar na comunidade afr' índia o seu amor a DEUS e assim o desejo de contribuir com sua família e comunidade elegendo seus(a) líderes mais combativos(a), promover a paz e a plena igualdade com o ingresso de cidadães afr' índios(a)(negros(a)- índios(a)) na universidade, cargos concursados e eletivos. Angariar recursos para o fundo d' igualdade racial. Capacitar-nos para o exercício profissional e político - projeto escola' berta / universidade solidária.
ResponderExcluirCriar e fortalecer cooperativas de consumo - serviço e produção.
ResponderExcluirLamentavelmente a Comunidade Afr' Índia me boicotam e por isso recusam minhas ideias, ao tempo em que votam em partidos como o des dem, criados apenas para promover nosso genocídio e exclusão. fruto d' idolatrai que legalizam as potestades a agirem em suas vidas, por isso tantas e tão graves tragédias! Uma vez que fomos criados(a) por DEUS, à sua imagem e semelhança, apenas para servi-Lo.
Projeto:
Apoia a Câmara d indústria Comércio / serviços & Turismo Áfric_Ási_Américas Europa Oceania, através da Associação beneficente cristã cooperativa comercial comunitária / Casa da Cultura Criacionista Áfric_Ási_Américas Europa Oceania - Angola-C'EAO-Museu d' Imaginário afr' índio-Jorge Conceição-Rafael Sanziu-UnB(atlas)-DCE-Letras, IGeo, FFCH...MST/Quilombos-ANAÌ-aldeias(Canelas, Pataxó Hã Hã Hãe...RR_R-rede Rua_Recicladores(a) eu-ELAO e Edson Miranda-SP/Mov Povo na Rua-Lúcia Santos-CLCRMRQ, afa & ama | associação feminina & masculina afr' índia-psicologia / pedagogia - União de Art Educadores(a) & Pesquisadores Afr' Índios(a)-Ana Célia Silva; Lourdinha-MNU-Ilê Ayiê; Gel Santos-AACSH; Iedamaria-EBAS /-CLCRMRQ/Geopolítico, Benin, Nigéria - Ass. José Martí d Amigos(a) do PROTETOR do Mercosul/Cuba-Fidel Castro, Argentina-Antônio Prozato, cineasta, Venezuela-Arturo Arvarez d' Armas-Letrália, antropólogo/poeta; Junta SSA_Ba/OIMBa; Godi/Lia Spósito-GTPalmares Inarõn; Antônio Mendes-GTArupemba_rt-EBAS/CAs-Escola de Teatro-Dança-Música; IMaGuma-Centro de Indiomas Afr' Índios(a)/Casa da Nigéria Fund. Nelson Mandela - Inst. de Idiomas - PIEIA, projeto a Bíblia-Missão na Língua e dialeto dos povos/Escola de Profetas Casa da Cultura Criacionista PindoramÁfrica-Israel-Pr. carlos Leshém-Lj Grandes Marcas-ZL-SP(em frente da DP-Sub-prefeitura ZL; GTMamulengo e Bonecos-Elias Bonfim.
Crias a fasv-jo - fundação d assistência social / jurídica voluntária, a SPD inspirou o Gov. a criar a Previdência & Defensoria Pública, a I habilitação gratuíta e agora realiza cursos de Letras afr' índia em parceria c/ o IMaGuma-Prof. Denílson no Ed Themis 2º and-Pç da Sé e na Casa da Nigéria, Iorubá e ingles, programa de cooperação acadêmica p/ o interior d Áfric_Américas - pesquisa organização política, econômica e social d África à diáspora, em continuidade à preciosa obra do saudoso amigo Pierre Verger - fluxo e refluxo África à diáspora, por mim coordenada com apoiuo do Dr. Jaques d' Adeski-IEA/CEAA-UCAM.
Qualquer pessoa pode e deve contribuir.
Escolha uma Igreja evangélica e participe da EBD, algumas Igrejas, mesmo da Assembleia de deus é no sábado, o importante é dedicarmos um dia à adorarmos a DEUS Altíssimo, na pessoa do SENHOR IESHUA=JESUS CRISTO O Protetor dos(a) desvalidos(a).
A SPD-Sociedade Protetor, chamam protetora, mas só o SENHOR é DEUS, e só o SENHOR IESHUA, O PROTETOR dos(a) desvalidos(a) salva! Sito à Pç Cruzeiro de Francisco-CH/Terreiro de Jesus_SSA_Ba_Pindorama que é Brasil.
ResponderExcluirO CLCRMRQ-Centro Litero Cultural & Recreativo Manoel Raimundo Querino(veja meu curso / pesquisa a personalidade da personagem / estudo da vida e da obra daqueles que contribuem e contribuíram na promoção da paz e plena igualdade, o de MRQ foi adotado p/ Dra e amada amiga no SENHOR IESHUA Consuêlo pondé de Sena-IHGBa, onde funciona o Instituto Luiz Gama de estudo rábula, história d humanidade e geopolítica afr' índia que apoia as universidades, os Centros d estudos afr'í orientais - C'EAO/C'EPAI, C'EEC, ANAAD/OAB-orai, Igrejas Evangélicas atraves da fasv-j/gaP-Grupo Amigo(a) do protetor(alerta amigos(a) do Pernambués-PT).
Pojeto - escola' berta - desenvolvimento sustentável e cooperativismo solidário das Comunidades Indígenas-ANAÍ - Aldeias - coord. tribo canelas-Ma; Pataxó Hã Hã Hãe - Porto Seguro_Ba e demais Aldeias / Quilombos - Rio das Rãs / Tijuaçú-Largato / Laje dos(a) Negros(a)... Reedição d estudo Bahia - terra de Quilombos - Dr. valter Oliveira Passos-ABC'" Presbiterianos, Beneficente do Belém-Missões-Ipiranga-Madureira-Vitória em Cristo; IBatistas-Sertão, Missão PIEIA - Vaqueiros(a) - ASA S / Gideões a sua Congregação...
Convite:
ResponderExcluirA afa & ama - associação feminina & masculina afr' índia - ong cujo objetivo é adorar a DEUS Altíssimo e servir em espirito e em verdade ao SENHOR IESHUA - O Protetor dos(a) desvalidos(a), tem a honra de convida-lo(a) a integrar o Instituto Luiz Gama d estudo rábula/orai/ordem dos(a) rábulas afr' índios(a) cristãos(a) sf-sem fronteiras.
Programa:
Estudo bíblico diário. Escolha um dia, de preferência de folga / férias para orar na madrugada e em outros horário durante o dia á sua escolha / diário de oração!
Escolha seu tema / meta de oração e jejum. Consagre seu coração e tudo o que faz à DEUS Altíssimo, orai antes e após suas tarefas do dia a dia, agradecei a DEUS - IESHUA por tudo. Se tiveres feliz - orai, triste e sofrendo, orai, tentado(a), resisti e orai. Amando - orai, com ódio e com raiva? Orai mais ainda; orai por sua felicidade, trabalho, amigos(a), e sobretudo pelos(a) inimigos(a)? Amai e orai muito mais!