quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ciência, Paixão e Militâncias - II





Ciência, Paixão e Militâncias - I









- (...) você está racializando o debate?

- Tô.

Foi o que pensei em dizer, mas respondi um conciliador e nefasto "não é bem assim" para minha resposta ser operacional no contexto.
A pergunta foi dirigida a mim depois que eu declarei que estudos e formulações sobre minha identidade de mulher negra estavam todos em suspensão, até que eu os pudesse avaliar pessoalmente ou confiasse em uma leitura/interpretação idônea de seu conteúdo. Isto porque, prossegui explicando, o conhecimento acadêmico costuma ser produzido pelo homem branco de classe média que, não necessariamente sabe transitar entre seu lugar no mundo e os de outrem (no caso, eu).

Pelo visto, pareceu um absurdo que no pacote dos autores em suspensão eu incluísse nomes como Florestan Fernandes e Sérgio Buarque de Hollanda, autores que, como você deve saber - se não sabia, sabe agora - estão, praticamente - acima do bem e do mal, por seus papéis de formadores da identidade, formulação e memória sociológica do Brasil. Parece que extrapolei ao dizer que, infelizmente, a despeito de seus méritos e contribuições, Florestan Fernandes derrapou em formulações racistas sobre a família negra, inclusive classificando-a de anômica. E, muito provavelmente, foi um atrevimento imperdoável que eu tirasse conclusões precipitadas, afirmando que eles não conseguiram sair de seus lugares e repertórios para falar se debruçar sobre minha história e que, por isso, deveriam ser lidos e relidos com atenção e ressalvas.

Ao que parece, ultrapassando esses limites eu demonstrei haver passionalizado e personalizado o debate, racializando-o e estabelecendo limites claros entre possibilidades e legitimidades de identidades para produção do conhecimento.

E quase tudo isso foi dito, mas também li nos olhares de reprovação e de estupefação com meus "ataques raivosos", que sugeriam que eu tinha me excedido por conta de uma hipertrofia perigosa do meu conceito de racismo.

Eu não estava racializando o debate.
Ou estava mesmo.

O que acontece é que racializar tem mais de um sentido admissível.
Pode ser que se esteja adotando o referencial ideário que dá lastro ao racismo - de que há raças e hierarquias de racionalidade e superioridade entre elas - e produzindo diferenciações e lugares sociais baseados nisso; Ou, que se trate de localizar lugares de enunciação e existência produzidos e mantidos dentro de uma conjuntura estruturada pelo referencial racista.

Então, admitindo o segundo sentido, eu estava racializando o debate. Porque me importa localizar de onde as pessoas estão falando e que assumam as implicações éticas e concretas de seus discursos.
Poderia dizer que, para mim, não há nada mais acadêmico do que as formas de localização e identificação de forma e conteúdo do discurso. Contudo, não me atrevo a tanto, tampouco será ponto pacífico em uma sala de graduação cheia.

O que, de fato, me incomoda é que a academia laureia aqueles que demarcam uma posição em sua área de estudo e constrói suas formulações a partir de uma posição que, quanto mais clara e coesa, melhor. A menos que  a partir dela você desconstrua de alguma forma o rol das santidades. Aí, imputarão a você a passionalização de um debate de sacralidades.

Mas até aí, não há necessariamente nada tão diferente do que defender Claus Offe em uma sala de marxistas.

Creio que o que diferencia é a natureza dos argumentos de negação, de descrédito que se imputa ao outro. Pois, quando se trata de questões étnico-raciais, bem como quando se trata de gênero, esses argumentos se referem à construção identitária, de algo que não pode ser alheado para a externalidade indiferente, ou melhor, não deve, porque constitui o sujeito. Equivale a dirigir uma crítica direta à percepção da macronarrativa de sofrimento e alijamento social e os impactos desta no cotidiano, na experiência de existir em seus contextos. Mas não é uma crítica que busca erros de interpretação ou rigor, ou mesmo, antes que se chegue a isto, não costuma ser uma crítica idônea por princípio. É uma crítica de quem assegura seu lugar socialmente formatado a partir da pejorativização da análise da/do outra/o. Não é, portanto, uma conclusão de debate, mas um artifício de manutenção ideológica.

Faz parecer que, reunir e desenvolver o instrumental para ler essas violações sempre pende ao exagero, ao delírio persecutório e a autovitimização, jamais ao rigor analítico, acuidade de percepção, sofisticação da lente interpretativa, contributo à objetivação ética das relações. Simplesmente porque é algo que não interessa ou valoriza o sujeito que historicamente enuncia os debates acadêmicos. Mas nunca é tão simples, porque, de fato, estamos disputando validação dos argumentos em um contexto em que nem mesmo nós valemos.

6 comentários:

  1. Vc é muito inteligente, e muito mais corajosa ainda! Pena que não conheceste o MNUCDR|Mov Nacional unificado contra a intolerância, na época da ditadura, anos 70-80 era discriminação religiosa e racial. A religiosa exacerba a racial. Sempre fomos críticos a estes(a) autores(a), talvez por isso somos excluídos(a) até pela nossa própria comunidade que ao invés de se, nos prestigiar, nos agridem e votam no des dem, seu maior e mais cruel inimigo! O pior é ver que outros municípios estão em piores situação do que o nosso des dem!,

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  2. SALMO=SL 119. 1- BEM AVENTURADOS os retos em seus caminhos, que andam na lei do SENHOR.

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  3. FIS IP vjd| Que tal unir o Fórum Social à CONAPIR? CONFERÊNCIA D' IGUALDADE SOCIAL? Uma proposta minha para despertar na comunidade afr' índia o seu amor a DEUS e assim o desejo de contribuir com sua família e comunidade elegendo seus(a) líderes mais combativos(a), promover a paz e a plena igualdade com o ingresso de cidadães afr' índios(a)(negros(a)- índios(a)) na universidade, cargos concursados e eletivos. Angariar recursos para o fundo d' igualdade racial. Capacitar-nos para o exercício profissional e político - projeto escola' berta / universidade solidária.

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  4. Criar e fortalecer cooperativas de consumo - serviço e produção.
    Lamentavelmente a Comunidade Afr' Índia me boicotam e por isso recusam minhas ideias, ao tempo em que votam em partidos como o des dem, criados apenas para promover nosso genocídio e exclusão. fruto d' idolatrai que legalizam as potestades a agirem em suas vidas, por isso tantas e tão graves tragédias! Uma vez que fomos criados(a) por DEUS, à sua imagem e semelhança, apenas para servi-Lo.
    Projeto:
    Apoia a Câmara d indústria Comércio / serviços & Turismo Áfric_Ási_Américas Europa Oceania, através da Associação beneficente cristã cooperativa comercial comunitária / Casa da Cultura Criacionista Áfric_Ási_Américas Europa Oceania - Angola-C'EAO-Museu d' Imaginário afr' índio-Jorge Conceição-Rafael Sanziu-UnB(atlas)-DCE-Letras, IGeo, FFCH...MST/Quilombos-ANAÌ-aldeias(Canelas, Pataxó Hã Hã Hãe...RR_R-rede Rua_Recicladores(a) eu-ELAO e Edson Miranda-SP/Mov Povo na Rua-Lúcia Santos-CLCRMRQ, afa & ama | associação feminina & masculina afr' índia-psicologia / pedagogia - União de Art Educadores(a) & Pesquisadores Afr' Índios(a)-Ana Célia Silva; Lourdinha-MNU-Ilê Ayiê; Gel Santos-AACSH; Iedamaria-EBAS /-CLCRMRQ/Geopolítico, Benin, Nigéria - Ass. José Martí d Amigos(a) do PROTETOR do Mercosul/Cuba-Fidel Castro, Argentina-Antônio Prozato, cineasta, Venezuela-Arturo Arvarez d' Armas-Letrália, antropólogo/poeta; Junta SSA_Ba/OIMBa; Godi/Lia Spósito-GTPalmares Inarõn; Antônio Mendes-GTArupemba_rt-EBAS/CAs-Escola de Teatro-Dança-Música; IMaGuma-Centro de Indiomas Afr' Índios(a)/Casa da Nigéria Fund. Nelson Mandela - Inst. de Idiomas - PIEIA, projeto a Bíblia-Missão na Língua e dialeto dos povos/Escola de Profetas Casa da Cultura Criacionista PindoramÁfrica-Israel-Pr. carlos Leshém-Lj Grandes Marcas-ZL-SP(em frente da DP-Sub-prefeitura ZL; GTMamulengo e Bonecos-Elias Bonfim.
    Crias a fasv-jo - fundação d assistência social / jurídica voluntária, a SPD inspirou o Gov. a criar a Previdência & Defensoria Pública, a I habilitação gratuíta e agora realiza cursos de Letras afr' índia em parceria c/ o IMaGuma-Prof. Denílson no Ed Themis 2º and-Pç da Sé e na Casa da Nigéria, Iorubá e ingles, programa de cooperação acadêmica p/ o interior d Áfric_Américas - pesquisa organização política, econômica e social d África à diáspora, em continuidade à preciosa obra do saudoso amigo Pierre Verger - fluxo e refluxo África à diáspora, por mim coordenada com apoiuo do Dr. Jaques d' Adeski-IEA/CEAA-UCAM.
    Qualquer pessoa pode e deve contribuir.
    Escolha uma Igreja evangélica e participe da EBD, algumas Igrejas, mesmo da Assembleia de deus é no sábado, o importante é dedicarmos um dia à adorarmos a DEUS Altíssimo, na pessoa do SENHOR IESHUA=JESUS CRISTO O Protetor dos(a) desvalidos(a).

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  5. A SPD-Sociedade Protetor, chamam protetora, mas só o SENHOR é DEUS, e só o SENHOR IESHUA, O PROTETOR dos(a) desvalidos(a) salva! Sito à Pç Cruzeiro de Francisco-CH/Terreiro de Jesus_SSA_Ba_Pindorama que é Brasil.
    O CLCRMRQ-Centro Litero Cultural & Recreativo Manoel Raimundo Querino(veja meu curso / pesquisa a personalidade da personagem / estudo da vida e da obra daqueles que contribuem e contribuíram na promoção da paz e plena igualdade, o de MRQ foi adotado p/ Dra e amada amiga no SENHOR IESHUA Consuêlo pondé de Sena-IHGBa, onde funciona o Instituto Luiz Gama de estudo rábula, história d humanidade e geopolítica afr' índia que apoia as universidades, os Centros d estudos afr'í orientais - C'EAO/C'EPAI, C'EEC, ANAAD/OAB-orai, Igrejas Evangélicas atraves da fasv-j/gaP-Grupo Amigo(a) do protetor(alerta amigos(a) do Pernambués-PT).
    Pojeto - escola' berta - desenvolvimento sustentável e cooperativismo solidário das Comunidades Indígenas-ANAÍ - Aldeias - coord. tribo canelas-Ma; Pataxó Hã Hã Hãe - Porto Seguro_Ba e demais Aldeias / Quilombos - Rio das Rãs / Tijuaçú-Largato / Laje dos(a) Negros(a)... Reedição d estudo Bahia - terra de Quilombos - Dr. valter Oliveira Passos-ABC'" Presbiterianos, Beneficente do Belém-Missões-Ipiranga-Madureira-Vitória em Cristo; IBatistas-Sertão, Missão PIEIA - Vaqueiros(a) - ASA S / Gideões a sua Congregação...

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  6. Convite:
    A afa & ama - associação feminina & masculina afr' índia - ong cujo objetivo é adorar a DEUS Altíssimo e servir em espirito e em verdade ao SENHOR IESHUA - O Protetor dos(a) desvalidos(a), tem a honra de convida-lo(a) a integrar o Instituto Luiz Gama d estudo rábula/orai/ordem dos(a) rábulas afr' índios(a) cristãos(a) sf-sem fronteiras.
    Programa:
    Estudo bíblico diário. Escolha um dia, de preferência de folga / férias para orar na madrugada e em outros horário durante o dia á sua escolha / diário de oração!
    Escolha seu tema / meta de oração e jejum. Consagre seu coração e tudo o que faz à DEUS Altíssimo, orai antes e após suas tarefas do dia a dia, agradecei a DEUS - IESHUA por tudo. Se tiveres feliz - orai, triste e sofrendo, orai, tentado(a), resisti e orai. Amando - orai, com ódio e com raiva? Orai mais ainda; orai por sua felicidade, trabalho, amigos(a), e sobretudo pelos(a) inimigos(a)? Amai e orai muito mais!

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